PESSOAS COMPARTILHAM FAKE NEWS PARA REFORÇAR CONVICÇÕES

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Com a crescente disseminação de informações e a recorrente discussão acerca das fake news, um estudo realizado pela Universidade de Regina, no Canadá, pode contribuir para um maior entendimento sobre o que estaria por trás de muitos dos compartilhamentos massivos.

Para tanto, aproximadamente 2.500 pessoas residentes nos Estados Unidos participaram de um experimento. Um grupo teve como tarefa avaliar a veracidade de diversas manchetes, e foi possível perceber que elas conseguiam distinguir as notícias verdadeiras das falsas. A partir disso, também foi possível detectar que algumas notícias falsas, quando tinham o potencial de reafirmar opiniões pessoais de alguma forma, eram tidas como verdadeiras com maior facilidade.

Paralelamente, um outro grupo de pessoas tinha que apontar quais notícias escolheria compartilhar, e foi possível detectar que muitas se revelaram mais propensas a compartilhar notícias que eram condizentes com seus pontos de vista particulares, mostrando que a preocupação sobre a veracidade do conteúdo exercia pouco efeito na tomada de decisão de postar determinada informação e que, além disso, a disseminação de fake news não se trata de uma mera questão de distração e não é praticada apenas por aqueles que acreditam no que enviam.

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(Fonte: Unsplash)

Apesar do problema da disseminação de fake news não ser recente, a forma com que a questão tem se apresentado pouco pode revelar sobre a motivação das pessoas, que muitas vezes compartilham um conteúdo que não foi inteiramente lido, e isso se reflete em notícias que facilmente podem ser identificadas como falsas, mas que ainda assim contam com um alto número de compartilhamentos. 

Um dos fatores que o estudo aponta como responsável por tal comportamento seria a menor valorização da precisão, que caracterizaria a sociedade atual, e mesmo alguns motivos mais subjetivos, ligados à própria natureza humana e que se fazem muito presentes nas mídias sociais, como o desejo de atrair atenção e de agradar amigos e seguidores, que também influenciariam tal postura.

Ou seja, uma vez que o estudo identificou que as pessoas conseguem diferenciar as notícias verdadeiras das falsas e ainda assim disseminam fake news, a mudança nesse padrão de comportamento implicaria usar a veracidade de determinada informação como principal critério para compartilhar algo, o que pode ser desafiador para muita gente.