O que tem dentro da Lua?

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A Lua sempre foi um mistério para a humanidade. Mitos como a lenda de São Jorge vencendo o dragão envolveram os seres humanos de encantamento ao redor da luz que ilumina a Terra da escuridão total. A relação entre o “homem” e o seu satélite natural remonta desde os povos primitivos. Na mitologia grega, a lua era uma deusa chamada Ártemis ou Selene, já para os romanos seu nome era Luna.

Hoje, a Lua pode ser considerada um símbolo entre dois apaixonados, que na distância, observam a mesma luz e acreditam acercarem-se pela “coincidência” romântica.

No século XX, a Lua se tornou motivo de uma disputa política e econômica. A corrida espacial marcou a Guerra Fria, e a bipolaridade do mundo dividiu-se entre os Estados Unidos e a União Soviética, que “correram” para ver quem atingiria a superfície lunar primeiro.

De qualquer maneira, o homem finalmente atingiu o seu objetivo. Depois de cinco tentativas frustradas, a Apollo 11 aterrizou em solo lunar, e os seres humanos puderam conhecer fisicamente a luz que preenche as nossas noites com mais beleza.

Ela é maior do que Plutão, não possui atmosfera, está a cerca de 384.400 quilômetros da Terra e a sua atração, que à liga ao planeta, é a responsável pela formação das marés nos oceanos.

Mas e o seu interior? Do que é feito?

Segundo um estudo científico realizado pela Scripps Institution of Oceanography (Instituto Scripps de Oceanografia) da Universidade da Califórnia em San Diego, o interior da Lua é provavelmente seco.

O resultado foi obtido da “Rusty rock” (rocha Rusty) retirada da superfície lunar durante a missão Apollo 16, por volta do ano de 1972, e a última missão tripulada a pousar no satélite natural da Terra.

A pesquisa também sugere que primeiro a Lua era formada por um líquido quente, uma espécie de oceano de magma formado por elementos voláteis que gradualmente evaporaram.

A ‘Rusty rock’ “é a unica pedra que voltou da lua com o que parece ser óxido em suas superfícies externas,” explica James Day, um geoquímico e autor do trabalho publicado pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Processos da Academia Nacional de Ciência) segundo matéria publicada pela revista Muy Interesante.

“É uma grande pergunta, se a lua é úmida ou seca, pode parecer trivial, mas isso é realmente muito importante,” ele esclarece. “Se a lua está seca — como pensamos durante os últimos 45 anos, desde as missões da Apollo — seria consistente a formação da lua devido a algum tipo de evento de impacto cataclísmico que a formou,” argumenta.

Entender a umidade da Lua e seus elementos voláteis é o primeiro passo para entender a história lunar, assim como a origem da sua formação.

Os resultados que a “Rusty Rock” forneceram aos pesquisadores foi considerada pela comunidade científica uma descoberta fascinante e ao mesmo tempo confusa. Isso porque um dos ingredientes essenciais do óxido é a água. Então onde ela estaria e de onde veio?

A análise confirma que a rocha é mesmo lunar, mas o seu interior prova que ele é seco. Então como isso seria possível?

“É um pouco paradoxal,” Day explica. “É uma rocha úmida que vem de uma parte interior muito seca da lua”.

De acordo com o artigo científico, a rocha está repleta de isótopos mais leves que o zinco. Isso significa que a umidade é o produto da condensação do zinco na superfície da Lua durante as evaporações que ocorriam quando ela era ainda muito quente.

“O zinco é um elemento volátil que se comporta um pouco como a água em condições da formação lunar. É algo como as nuvens que se formam desde o oceano, as nuvens são ricas em isótopos mais leves que o oxigênio e o oceano é rico em isótopos pesados de oxigênio. Do mesmo modo, o interior da lua deve ser enriquecido de isótopos pesados e está esgotado de isótopos leves e elementos voláteis, o que significa que está seco,” esclarece o geoquímico.

O único problema da pesquisa de James Day é que sua tese vai contra a última investigação publicada pelo jornal Nature Geoscience e concluída pela Universidade de Brown.

De acordo com os cientistas da Brown, os depósitos de vidro encontrados na superfície da Lua sugere que o seu interior está repleto de água.

James Day tem certeza de sua conclusão científica e acredita que o avanço de seus estudos vão provar que o interior da Lua está completamente seco.

E você? No que acredita? Qual tese parece ser a mais verdadeira? Não esqueça de deixar o seu comentário e aproveite também para compartilhar a curiosidade com seus amigos.

FONTE(S) Muy Interesante, A Lua, Centro Ciência Viva do Algarve