O que acontece quando a gente morre?

4

A maior certeza da vida e também a maior dúvida coexistem na maioria dos seres humanos: à maior certeza — a de que todos iremos morrer um dia — se contrapõe a maior dúvida: o que acontece quando morremos? Essa pergunta esteve perto de ser respondida em 1994, quando um ortopedista chamado Anthony Cicoria, ao deixar um telefone público que utilizava, foi atingido por um raio na cidade americana de Albany, no estado de Nova York.

Ele se lembra de ter sido projetado para trás e, ao se levantar, pôde testemunhar o seu próprio corpo deitado no chão, em meio a uma luz azul, e uma mulher tentando reanimá-lo, até se sentir subindo suavemente para o quarto onde seus filhos brincavam. De acordo com o Dr. Sam Parnia, professor de Medicina e especialista em experiências de quase-morte, a experiência de Tony Cicoria não teve nada de extraordinário. “Morte é um processo”, afirmando que não é uma coisa claramente definida e imutável.

O que diz a ciência?

A princípio, explica a Dra. Nina O’Connor, diretora de cuidados paliativos na Universidade da Pensilvânia, a respiração se torna irregular (o chamado “estertor da morte”) porque a pessoa não é capaz nem de tossir, nem de engolir suas secreções. No exato momento da morte, todos os músculos do corpo relaxam e a pessoa costuma emitir um último gemido ou suspiro que, na verdade, é o som do ar que estava nos pulmões passando pela garganta e pelas cordas vocais.

A seguir, as pupilas se dilatam ao máximo (midríase fixa), a mandíbula se abre e a pele decai. Se a pessoa tiver urina ou fezes no corpo, elas serão liberadas. No entanto, mesmo após o coração parar de bater, estudos indicam que o cérebro pode funcionar por mais 10 minutos.

Experiências de quase-morte

Após terem sofrido parada cardíaca, muitos sobreviventes se recordam de mergulhar numa luz brilhante e acolhedora, ou de encontros com parentes já falecidos, além de uma clara lembrança de médicos e enfermeiras trabalhando em seus corpos. Muitos não desejavam voltar aos seus corpos. Mas a maioria dos cientistas não compartilham dessas memórias, atribuindo-as a sonhos lúcidos ou efeito da falta de oxigenação no cérebro. O assunto ainda será tema de pesquisas.