Moradores comem carne de baleia que encalhou

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No final de agosto, um vídeo, divulgado nas redes sociais, chamou a atenção de milhares de brasileiros. Em suma, o vídeo mostra um grupo de pessoas fazendo um churrasco com a carne da baleia. O animal morreu após encalhar em Coutos, no subúrbio de Salvador. De acordo com informações divulgadas na internet, a baleia tinha 39 toneladas.

Além disso, segundo pescadores da região, desde que a baleia morreu, muitas pessoas estiveram na praia para pegar a carne do animal e levar para casa. “Foi muita gente, foi uma novidade. Não [consumi] porque não sabemos o que aconteceu para ela [baleia] parar aqui”, informou um dos pescadores.

O relato dos residentes locais, muitos dos quais não quiseram se identificar, fazem voz com o vídeo divulgado. Apesar de a carne da baleia ser apreciada em algumas culturas, como a japonesa, a Lei 7.643, de 18 de dezembro de 1987, protege os cetáceos (mamíferos marinhos) em águas brasileiras, proibindo a sua pesca, molestamento e comercialização.

Além disso, consumir carne de uma baleia encalhada pode ser extremamente perigoso, já que existe a possibilidade do animal ter morrido por alguma doença e, com isso, possuir agentes infecciosos que possam atingir seres humanos e animais.

De acordo com especialistas, mesmo que a carne seja assada ou cozida, os microrganismos podem, muitas vezes, liberar toxinas. Muitas vezes, tais toxinas podem não se deteriorar com a temperatura.

Até o momento, não se sabe se o animal estava doente. Não se sabe também em que estado de conservação estava a carne, que essas pessoas consumiram. Mesmo sendo perigoso, “uma multidão desceu até a praia. Tinha gente com peixeira em uma mão e balde na outra. Teve até gente até voltando com o carrinho-de-mão cheio de carne e gordura”, informou um dos moradores.

O caso

A baleia estava em fase adulta. O animal possuía cerca de 15 metros de comprimento e pesava 39 toneladas. Os moradores locais tentaram ajudar, jogando água. Além disso, equipes do Instituto Baleia Jubarte também apareceram para prestar atendimento.

Mesmo com o auxílio dos moradores e de profissionais, o animal não resistiu, morrendo algumas horas depois. O caso ocorreu exatamente no dia 30 de agosto. Nesta segunda-feira, 01, a baleia foi retirada da praia que estava e transferida para a praia de Tubarão, que fica na mesma região, para facilitar a retirada.

O reboque foi feito por equipes da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador. Algumas tentativas falharam, por conta da dimensão da baleia e também do difícil acesso à praia. Até o momento, mais de 10 toneladas já foram removidas.

Por conta da decomposição do animal, moradores do entorno relataram um forte mau cheiro e, claro, medo de doenças.

Praias brasileiras

De acordo com balanço do Projeto Baleia Jubarte, realizado em 2017, mais de 105 baleias já encalharam no litoral brasileiro. De acordo com especialistas, o índice segue subindo. O pico de encalhes ocorre em agosto e setembro. A maior parte desses animais morre no mar e é levada pela correnteza, até a areia.

Em 2002, a população estimada era de 3,4 mil baleias-jubarte. Já em 2015, último levantamento, passava dos 17 mil. Com uma população maior, especialistas afirmam que há mais chances de ocorrerem encalhes por causas naturais, como por exemplo por doenças, velhice ou ataque de predadores.