Como as mulheres davam à luz há 2 milhões de anos?

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Ainda existem muitos casos em que acontecem complicações durante o parto. Mas, hoje em dia, é muito mais fácil e seguro dar à luz. Com a evolução da medicina, novas técnicas e ferramentas colaboraram para tornar o parto muito mais simples para a mulher. E de fato, esse assunto ainda é muito polêmico. Mas não tem nem como comparar os procedimentos atuais, com os partos no passado. Mas uma nova descoberta pode ter deixar muito surpreso. Indo contra o que a maioria de nós possa acreditar. Dar à luz, há 2 milhões de anos atrás, não era tão difícil. Pelo contrário, era até mais fácil do que hoje.

Isso porque, mesmo após termos evoluído em questões médicas, o nosso corpo também evoluiu. E essa evolução acabou modificando consideravelmente a estrutura humana. E isso acabou interferindo também em como as mulheres dão à luz. Hoje, temos mais comodidade e segurança. Pelo menos foi isso que revelou uma nova pesquisa. Através da tecnologia em 3D, foi possível estudar a pélvis de uma Australopithecus sediba.

Evolução

Uma equipe de cientistas americanos usou a tecnologia de terceira dimensão, para criar um protótipo da pelve de uma Australopithecus sediba. Essa subtribo habitou a Terra por volta de dois milhões de anos atrás. Imaginava-se que dar à luz, nesse período, seria algo realmente complicado, porém, o que eles descobriram foi exatamente o contrário. O estudo revelou que era muito mais fácil dar à luz há dois milhões de anos atrás. Isso, quando comparado aos dias de hoje.

De acordo com os cientistas, conforme o ser humano evoluía e aprendia a andar sobre duas pernas, o seu canal pélvico ficou mais estreito. Além do que, a evolução do Homo sapiens também fez com que as cabeças dos bebês crescessem consideravelmente.

Essa constatação só foi possível graças a estudos baseados em espécimes fósseis. Natalie Laudicina, antropóloga da Universidade de Boston, disse que a reconstrução foi feita com um modelo em 3D, capaz de criar com perfeição o modelo da pélvis de uma fêmea da espécie.

O parto

A antropóloga explica que o Australopithecus sediba não tinha uma estrutura óssea capaz de colidir com o canal na hora do parto. “A largura fetal da cabeça e dos ombros têm amplo espaço para atravessar até as dimensões mais estreitas do canal de parto materno”, disse Natalie Laudicina à BBC.

No entanto, ela pontua que isso não significa que o parto foi ficando cada vez mais difícil ao decorrer dos anos. Segundo ela, já foi comprovado que a espécie da Lucy, a Australopithecus afarensis, que viveu antes da sediba, já teria enfrentado complicações no momento do parto.

Mas ela explica que isso é totalmente normal. Ela ainda usa o exemplo do parto moderno. Como todo sabem, algumas mulheres têm um parto mais rápido e fácil, enquanto outras podem levar mais tempo e enfrentar complicações. “A morfologia de cada espécime exibe seu próprio conjunto de desafios obstétricos”, explica ela.