Cientistas enfim conseguem solucionar o mistério da ‘múmia que grita’

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A mumificação era um método muito utilizado pelas civilizações do passado depois que seus membros faleciam. Existia, em sua maioria, um grande número de crenças a respeito desse processo mas, de forma geral, eles proporcionam uma maior preservação de seus corpos. Dentre os povos que usavam esse método, aqueles que ficaram mais conhecidos pelo processo foram os egípcios antigos. E, alguns desses corpos mumificados já deram o que falar.

A múmia que ficou conhecida como a “múmia que grita” deu o que falar. A sua expressão de horror permaneceu intacta durante todo esse tempo e causa um enorme desconforto para aqueles que o veem. Durante mais de um século os cientistas se encontraram em um debate sobre o que teria causado essa feição aterrorizada no homem encontrado em Deir El-Bahari, no Egito. Mas, depois de tanto tempo, eles finalmente parecem ter conseguido uma resposta para isso.

Múmia que grita?

Ela foi encontrada em Deir El-Bahari, um complexo coberto por múmias reais, durante o final do século XIX, em 1886. A nova hipótese sobre o que teria o deixado com a boca aberta, parecendo estar horrorizado, foi divulgada pelo arqueólogo egípcio Zahi Hawass no dia 12 de fevereiro deste ano. Além de arqueólogo, ele também foi secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito entre os anos 2002 e 2011.

Uma das maiores perturbações que rondaram os especialistas desde que estes descobriram o corpo foi a forma estranha que ele teria sido mumificado. Sua preservação foi feita de uma forma completamente diferente do normal, na qual ele acabou tendo seus membros amarrados com couro e o corpo inteiro coberto com pele de carneiro. Essas características peculiares indicavam que ele era uma pessoa considerada impura.

Quem teria sido essa múmia em vida?

Depois de algumas novas pesquisas terem sido feitas, descobriu-se que os restos mortais mumificados provavelmente pertenciam a Pentewere, o filho desonrado do rei Ramsés III. De acordo com alguns registros ele teria se envolvido em um plano para matar o próprio pai e acabou condenado a morte por enforcamento. A identidade do homem foi dada de acordo com marcas em seu pescoço e uma análise de seu DNA. Esse fator explica as condições estranhas e perversas em que ele foi encontrado.

Enquanto as demais múmias no local haviam passado pelo processo tradicional da época e envoltas em linho fino, Pentewere foi deixado para secar com Natron, tendo parte desse colocado em sua boca aberta, e envolvido com pele de carneiro – considerado impuro no Egito Antigo. Uma mumificação normal, no período, consistia em remover os órgãos internos do morto e embalsamá-lo de forma cuidadosa, o que não aconteceu com Pentewere.

Mesmo que a revolta de Pentewere não tenha se concretizado, o rei Ramsés III acabou sendo assassinado. Ele teve a sua garganta cortada quando tinha 60 anos. Talvez a trágica história de traição entre o príncipe Pentewere e seu pai, Ramsés III, além da forma repugnante como ele foi “mumificado” tenha resultado em sua recente aparência de horror. Algumas coisas parecem ficar marcadas para sempre, não é mesmo? O que acharam da nova descoberta sobre a “Múmia que grita”?