As mulheres acusadas de bruxaria no Brasil colonial

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Quando se fala em bruxa, logo vem à cabeça a imagem de uma mulher velha, nariguda, voando em uma vassoura. Essa é uma visão padronizada da bruxa como personagem folclórico. No entanto, quando nos referimos a bruxaria no contexto colonial do Brasil, o significado é outro. Estamos falando de qualquer crença que não estivesse de acordo com os dogmas da igreja católica. Toda fé baseada em outra religião era considerada demoníaca. Nesses casos, os seus seguidores tinham duas opções, ou abandonar a sua fé e se converter ou encontrar a morte de uma forma nada agradável.

Entre os séculos XVI e XVIII, a igreja Católica exercia o poder religioso do país. Então, estava sob a sua responsabilidade investigar e punir os acusados de cometerem “bruxaria”. Durante esse período, muitas pessoas, entre homens e mulheres, foram queimadas na fogueira sob acusações de bruxaria.

Bruxaria

No Brasil, durante o século XVI, as acusações de bruxaria muitas vezes se sustentavam em argumentos nada plausíveis. Curandeirismos, práticas baseadas em sabedoria popular, uso de recursos naturais, como plantas e ervas para tratamento de doenças. Além de cultos de imagens desconhecidas da igreja, ou o simples fato de discordarem da fé imposta. Eram esses os motivos para as pessoas acabarem diante da Santa Inquisição.

No entanto, o Tribunal do Santo Ofício nunca foi instaurado no país. Mas houve três visitas do Santo Ofício às terras brasileiras. Nessas ocasiões, os inquisidores, enviados de Portugal pelo Tribunal, vinham ao Brasil para investigar comportamentos, inibir condutas e mensurar a dimensão dos domínios das bruxas. Muitas mulheres acusadas de bruxaria conheceram a morte na fogueira da inquisição.

Se até nos dias atuais as pessoas ainda associam o termo bruxaria com manipulação de forças do mal e contato com demônios, imagine naquela época. No entanto, muitos dos casos de condenação passaram bem longe disso.

Acusações de bruxaria

Em 1692, Mima Renard, uma mulher francesa, se mudou com o marido para o Brasil. Mima era uma mulher muito bonita, que despertava a cobiça dos homens e, consequentemente, a inveja das mulheres. O seu marido foi assassinado por um homem casado que pretendia abandonar sua família para se casar com Mima. Depois disso, ela não teve opções e acabou entrando para a prostituição.

A mulher, sempre tão desejada pelos homens, agora sendo uma prostituta, levou os homens à loucura e aumentou o ódio das mulheres. Foi quando várias pessoas acusaram Mima de usar feitiços para enlouquecer os homens. Mima acabou sendo queimada viva em uma fogueira em praça pública.

Outro dos vários casos marcantes de bruxaria aconteceu em 1750, quando Isabel Pedrosa de Alvarenga foi acusada por um dos “familiares do Santo Ofício”, os espiões da igreja. O espião alegava que a mulher carregava um saco cheio de umbigos de crianças, tufos de cabelo, panos ensopados de sangue humano, bicos de pássaros, e que todos esses itens eram usados para a prática de feitiçaria. A mulher, que era muito pobre e vivia nas ruas às custas de esmolas, nunca admitiu envolvimento com a prática de bruxaria, mas ainda assim foi condenada à morte.

Durante essa época, um total de 1076 pessoas foram investigadas por bruxaria, das quais 29 delas foram levadas à fogueiras.