Afinal, limpar as orelhas com hastes flexíveis de algodão faz mal?

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Geralmente, as pessoas sempre estão muito preocupadas em estar arrumadas e limpas. Você já deve ter ouvido ou visto algo sobre a grande vaidade brasileira. E existem dados para confirmar essa vaidade. Segundo a Abihpec (Associação Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), o Brasil ocupa a quarta posição no ranking mundial no mercado de higiene e beleza. Mas não pense que a beleza envolve apenas as roupas e itens de limpeza geral. A higiene, em geral, como limpar o ouvido, também faz parte disso. Em geral, com as hastes flexíveis ou os chamados cotonetes.

Uma das coisas, que fazemos para nos manter limpos, é limpar nossos ouvidos para que eles fiquem sem cera. Mas uma história de terror da vida real voltou a atenção da mídia e fará com que as pessoas pensem duas vezes, antes de tirar cera do ouvido.

Segundo uma australiana, ela diz que desenvolveu uma infecção e estava correndo risco de vida. Sua infecção devorou partes de seu crânio depois de anos esfregando suas orelhas com algodão. A história da mulher é real. Mas qual será a probabilidade de isso acontecer em larga escala, e quais são os reais perigos dos cotonetes?

A primeira coisa a se saber é que não existe motivo para você colocar cotonetes em seus ouvidos. Mas é lógico que, ouvindo isso, logo vem a pergunta: “mas como vou tirar a cera dos meus ouvidos?” Essas células da pele, junto com óleo e cabelos derramados pelos ouvidos, que são chamados de cera de ouvido, são realmente bons para as pessoas.

Cera

Ela ajuda a lubrificar e impermeabilizar a pele, ao longo do canal auditivo. E, ao mesmo tempo, ela também evita que certas bactérias cresçam demais. E o mais importante é que nossos ouvidos empurrem lentamente a cera para fora, no mesmo momento em que ela vai se acumulando. Isso é feito com ajuda dos movimentos da mandíbula. Ou seja, o ouvido é autolimpante.

É certo que, às vezes, algumas pessoas têm excesso de cera, e isso pode ajudar a perder a audição se isso não for resolvido sozinho e não for tratado. Se você se encaixa nesse caso, o que se deve fazer é procurar um médico e obter ajuda e não tentar escavar a orelha por conta própria. Atualmente, existem vários tratamentos para o excesso de cera. E nenhum deles, envolve usar cotonetes.

Mas o conselho, de não usar cotonete, foi desconsiderado pela mulher de 39 anos, que teve sua infecção. A mulher foi identificada apenas como Jasmine e, de acordo com ela, ela limpava sus orelhas com cotonetes todas as noites. E por anos, ela lidou com a perda da audição e com um barulho estranho no ouvido direito que vinha às vezes.

Depois disso, ela começou a sentir dores de ouvido. E por causa disso, a mulher foi ao médico. E com isso, eventualmente, ela descobriu a infecção grave atrás da orelha esquerda. E também que isso tinha corroído o osso, ao redor dele por até cinco anos.

“Acontece que, surpreendentemente, as [fibras] dos meus cotonetes haviam se instalado no meu ouvido, ficando infectadas”, disse.

Infecção

A história da Jasmine é super parecida com um caso, que foi relatado por médicos do Reino Unido, em março. O outro caso foi com um homem, de 31 anos, que desenvolveu uma infecção, ao longo do revestimento do seu cérebro. E isso, o causou sintomas neurológicos, como convulsões.

E rastreando a infecção, os médicos viram que ela começou em sua orelha esquerda, alguns anos antes. Esta foi causada pela ponta intacta de um cotonete, preso em sua orelha. O homem teve a sorte de se recuperar totalmente, após a remoção cirúrgica do tecido infectado. No caso de Jasmine, ela ainda tem alguma perda auditiva, mesmo depois de um ano do seu tratamento.

Os casos são aterrorizantes. Mas são casos extremos. Os incidentes mais comuns são os quais os cotonetes danificam ou até perfuram o tímpano, que é uma membrana fina, que separa o ouvido externo do ouvido médio interno. O tímpano rompido pode se curar sozinho, mas lesões mais graves podem causar perda auditiva permanente.

A frequência, com que esses acidentes acontecem, ainda não é clara. Mas o grupo de risco maior são as crianças. Em 2017, um estudo descobriu que mais de 260 mil crianças dos EUA foram para emergência, entre 1990 e 2010, com uma lesão no ouvido, feita por cotonete. Isso dá uma média de 12 mil casos parecidos por ano. O que é uma tendência estável.

“Agora eu tento alertar a todos sobre os perigos do mau uso dos cotonetes. Nossos ouvidos são partes delicadas e sensíveis do nosso corpo e precisam ser tratadas com cuidado”, alerta Jasmine.