4 ACIDENTES NUCLEARES SOBRE OS QUAIS VOCÊ PROVAVELMENTE NUNCA OUVIU FALAR

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1 – Tomsk-7
A cerca de 3 mil quilômetros de Moscou, mais precisamente na Sibéria, existe uma cidade chamada Seversk cuja população é de pouco mais de 109 mil habitantes. Essa simples descrição dá a impressão de que não há nada de especial sobre a localidade, certo? Contudo, Seversk foi fundada no final dos anos 40 com o nome de Pyaty Pochtovy e, em 1954, em plena Guerra Fria, foi rebatizada de Tomsk-7 — e era uma das “cidades secretas” dos soviéticos.

Durante esse conturbado período da História, Tomsk-7 contava com uma população que somava cerca de 107 mil habitantes — composta por pessoas (e suas famílias) que trabalhavam para o programa soviético de armas nucleares no enriquecimento de urânio e plutônio. Além disso, Tomsk-7 foi palco de diversos acidentes nucleares, sendo que o mais grave deles ocorreu em 1993.

Nessa ocasião, uma solução de ácido nítrico estava sendo colocada em um tanque de armazenamento que continha quase 9 mil quilos de urânio e 450 gramas de plutônio. Porém, algo deu errado e, em vez de os elementos se misturarem, eles começaram a reagir entre si, fazendo com que a temperatura e a pressão no interior do tanque aumentassem — provocando a sua explosão.

Como resultado, uma coluna de fumaça radioativa foi lançada na atmosfera, contaminando uma área de 120 quilômetros quadrados ao redor de Tomsk-7. Para piorar, alguns dias depois da explosão, a queda de neve — também radioativa — levou algumas áreas a apresentar níveis de radiação 100 vezes superiores aos normais, condenando a região a sofrer com as consequências da contaminação durante anos.

Em 1992, Tomsk-7 passou a se chamar Seversk e, atualmente, a localidade abriga vários reatores nucleares e indústrias químicas que se dedicam a separar, enriquecer e reprocessar urânio e plutônio. Por conta disso, e do fato de a cidade contar com enormes quantidades de lixo nuclear, ela possui uma série de restrições — e é considerada o que os russos chamam de “cidade fechada”.

2 – Usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa
Pode ser que a usina nuclear de Fukushima seja a mais comentada do momento. Contudo, caso você não se lembre, a central de Kashiwazaki-Kariwa, também localizada no Japão, é a planta capaz de produzir mais energia no mundo — e já se viu envolta em muitas polêmicas, escândalos e, claro, acidentes.

A Kashiwazaki-Kariwa entrou em operação em 1985 e, em 2002, veio à tona que os relatórios de inspeção haviam sido falsificados pelos proprietários da usina e que evidências sobre a existência de rachaduras por estresse no sistema de água haviam sido omitidas.

Então, em 2007, um terremoto de magnitude 6,8 na escala de Richter chacoalhou a região onde a Kashiwazaki-Kariwa foi construída. A intensidade do tremor foi mais forte do que a central podia suportar, mas, por sorte, todos os reatores puderam ser desativados — e o incidente terminou com o rompimento de alguns barris contendo lixo nuclear e o derramamento de aproximadamente 1,2 mil litros de água contaminada no mar.

E os dirigentes da usina aprenderam a lição com esse “quase” desastre? Não! A Kashiwazaki-Kariwa voltou à atividade 21 meses após o terremoto com metade de sua capacidade, e uma investigação revelou que os proprietários tomaram a decisão de colocá-la para funcionar mesmo depois de um estudo revelar que ela havia sido construída próxima de falhas geológicas.

Então, em 2011, quando o terremotão seguido de tsunami atingiu o Japão, apesar de a Kashiwazaki-Kariwa não ser afetada com muita intensidade pelo sismo, ela foi desativada, juntamente com todas as usinas japonesas. Desde então, a maior e mais poderosa central nuclear do mundo nunca mais produziu energia alguma.

3 – Baneberry
Você já deve ter visto imagens de testes nucleares — com aquelas nuvens em forma de cogumelo espetaculares — que ocorreram nos anos 50, não é mesmo? Pois, em 1963, por questões (óbvias) de segurança, os testes passaram a ser conduzidos com detonações subterrâneas, mas, mesmo com as novas medidas, nem todas as explosões saíram como o esperado. Esse foi o caso da bomba Baneberry, detonada em dezembro de 1970.

A explosão ocorreu a 270 metros de profundidade em um local conhecido como Yucca Flat — situado na Área de Testes de Nevada, a aproximadamente 150 quilômetros de Las Vegas. Em um primeiro momento, todos pensaram que as coisas haviam ocorrido como planejado. Entretanto, três minutos depois, uma enorme fissura se abriu a uns 90 metros do local da detonação da bomba e, de lá, gás e fumaça contaminados começaram a ser liberados.

Então, o solo do local onde a bomba havia explodido cedeu — o que é normal durante os testes nucleares subterrâneos —, e o problema é que o material radioativo continuou sendo liberado na atmosfera por mais de 24 horas. A nuvem chegou a alcançar os 3 mil metros de atitude e foi levada pelo vento para os estados vizinhos a Nevada.

Além disso, uma chuva repentina pegou 86 trabalhadores da área de testes de surpresa e contaminou todo mundo e, desses homens, dois morreram de câncer quatro anos depois. As detonações nucleares foram suspensas durante seis meses, e investigações no local revelaram que a fissura foi ocasionada porque o solo no qual a bomba havia sido inserida (e explodida) apresentava uma quantidade de água acima do normal.

4 – Acerinox
No final dos anos 90, a companhia espanhola Acerinox, fabricante de aço inoxidável, embora contasse com equipamentos de monitoramento em suas plantas de produção, por alguma razão, deixou que a peça de um aparelho de raios X contendo césio-137 passasse despercebida e fosse fundida em uma de suas caldeiras.

Para piorar, a fumaça radioativa resultante desse processo foi liberada na atmosfera sem que qualquer equipamento de segurança acusasse o problema — até que a nuvem contaminada chegou a França, Alemanha, Áustria, Suíça e Itália e os alarmes começaram a soar por lá.

Foi então que as autoridades europeias descobriram que os níveis de radiação eram mil vezes superiores aos normais, e as cinzas produzidas pela Acerinox podiam oferecer risco de contaminação ao público. No fim, seis trabalhadores da fábrica sofreram contaminações leves de césio-137, e a planta de produção na qual o material havia sido fundido, bem como dois estabelecimentos que receberam os dejetos de lá, tiveram que ser descontaminados.

O acidente de Acerinox resultou na produção de 7 mil toneladas de material radioativo, 40 metros cúbicos de água contaminada e em outras tantas toneladas de equipamentos afetados pela radiação. Por sorte, a situação foi controlada e, além dos seis trabalhadores, aparentemente mais ninguém foi prejudicado pelo evento. Só a companhia, que teve um prejuízo de US$ 26 milhões com a suspensão das atividades na fábrica e posterior descontaminação.