Veja um cientista tomando um choque de uma enguia elétrica em nome da ciência

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Foto/reprodução

Michael Faraday não é chamado de “melhor experimentalista na história da ciência” a troco de nada. O cientista era muito criativo com seus experimentos, e tirava informações de suas observações de forma genial. Um de seus experimentos envolvia segurar uma enguia elétrica para sentir a descarga elétrica.

Suas observações sobre animais elétricos diziam: “dão o mesmo choque que máquinas elétricas, baterias voltaicas e uma tempestade de trovões”. Ele segurou um peixe de 60 cm com as duas mãos e registrou em 1838 no Philosophical Transactions: “o choque desse animal foi muito poderoso”.

Até hoje este animal continua a entusiasmar cientistas. Kenneth Catania, biólogo da Universidade Vanderbilt (EUA), resolveu passar pelo mesmo experimento, mas com uma pequena diferença: ele se deixou levar choque com o animal em diferentes posições dentro e fora d’água, para comparar os resultados. Seu trabalho foi publicado na revista Current Biology.

Esta não foi a primeira vez que Catania levou choque de enguias elétricas. “Já levei choque acidentalmente algumas vezes. Eu sabia no que estava me metendo”, diz ele. Sobre a sensação de levar choques desse animal, ele descreve: “vamos dizer que eu fiquei impressionado”.

“Elas usam alta voltagem para encontrar, controlar e exaurir presas ao causar fatiga involuntária via ativação remota dos músculos das presas. Mas seu comportamento mais impressionante é o ataque com salto, no qual a enguia salta da água para eletrificar diretamente uma ameaça”, diz o resumo do trabalho.

Nesta pesquisa, ele confirmou um mito antigo que dizia que as enguias saltam para fora da água para aumentar a potência do seu choque. “Queria saber mais sobre o circuito que se desenvolve quando uma enguia pula para fora da água”, diz.

Para isso, ele construiu um circuito vivo. Ele segura a enguia com luvas especiais que medem sua voltagem. Ele também consegue medir a resistência do animal e a resistência elétrica da água no local em que os animais vivem.

Conforme a enguia coloca sua boca mais fora da água e encosta no braço de Catania, a combinação de peixe-homem age como um resistor variável. Se a enguia se posiciona mais para dentro da água, a corrente vai para a água. Se ela se levanta mais, a corrente é desviada para o braço de Catania. “É uma estratégia brilhante”, classifica o pesquisador.

O limite máximo de uma enguia jovem é de 40 a 50 miliamperes. 10 miliamperes já é doloroso o suficiente. Com 50 miliamperes, o braço de Catania já tem o reflexo de se afastar da fonte da dor. Em termos de potencia, os pulsos da enguia eram 10 vezes mais fortes que uma arma de choque policial.

Catania diz que ainda tem muitas questões a investigar, entre elas “como a enguia não dá choque em si mesma?”. “Há tanto a estudar que nem sei qual é o próximo passo”, diz ele. [Science Alert]

Confira o experimento no vídeo abaixo:

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