Prince é encontrado morto em seu estúdio

348

prince-500x500
O cantor Prince, um dos mais importantes das últimas décadas, foi encontrado morto em Paisley Park o nome de sua propriedade em Chanhassen, perto de Mineápolis nos EUA onde morava e tinha o seu estúdio. O artista tinha 57 anos e a causa da morte não foi confirmada.

No último dia 14, o jato particular do músico havia feito um pouso de emergência, depois que Prince Rogers Nelson começou a passar mal por conta de uma forte gripe ou desidratação – as fontes divergem. Ele retornava de Atlanta na Geórgia, onde fez seus derradeiros shows – duas apresentações no dia 14. Depois de passar três horas no hospital o artista foi liberado.

Prince estava no momento fazendo uma turnê solo chamada “Piano and his microphone” que estava sendo muito elogiada por mostrar o lado mais intimista do astro.

Trajetória

Sua música não conhecia limites e abrigava uma série de gêneros: funk, soul, R&B, pop, jazz, psicodelia… tudo podia entrar na mistura do multi-instrumentista que, por uns anos, gozou do raro privilégio de ser mão só uma das maiores estrelas do planeta, como também um dos mais influentes e aplaudidos pela crítica.

Esse momento em específico se deu no ano de 1984, quando ele explodiu com a trilha sonora do filme “Purple Rain”, também estrelado por ele, que vendeu 22 milhões de cópias nos EUA e emplacou cinco singles de sucesso – “Purple Rain”, “When Doves Cry”, “Let’s Go Crazy” entre eles.

Mas ele já vinha surpreendendo desde 1978, quando lançou seu primeiro álbum, pouco antes de completar 20 anos. A sequência de sete discos lançados por ele entre 1980 e 1987 – de “Dirty Mind” a “Sign O’ The Times” – esse tido como sua grande obra-prima – é tida como uma das mais inspiradas de toda a história da música pop. E é difícil achar uma lista de “melhores discos”, sem alguns desses trabalhos – no top 500 da Rolling Stone americana foram quatro.

Prince, foi o seu excesso de produtividade que acabou lhe “atrapalhando” nos anos seguintes. O excesso de material lançado por ele começou a confundir público e crítica, que não conseguia mais digerir tantos discos e apenas os mais fanáticos seguiram acompanhando todos os seus passos – ainda que eventualmente ele emplacasse um hit nas paradas ou tivesse um novo álbum elogiado com mais entusiasmo pelos críticos.

Os números impressionam: foram 39 álbuns, muitos duplos ou mesmo triplos, fora as horas e horas de material inédito que, dizem, estão guardados à sete chaves em Paisley Park.

O cantor também não era um figura fácil. Raramente ele deu entrevistas e quando as dava proibia o repórter de gravar a conversa ou fazer anotações. Ele também mantinha uma relação dúbia com a internet. Ao mesmo tempo em que foi um dos pioneiros a usar a rede para vender seus novos discos, ele também seguia em uma cruzada quixotesca contra o YouTube – nenhum clipe ou vídeo dele pode ser visto online de forma oficial – e, mais recentemente com os serviços de streaming musical.

Prince letrasIgualmente surpreendente é o fato de nenhum de seus discos até hoje terem sido remasterizados ou recebido uma edição deluxe, ao contrário de virtualmente, todos os demais astros da história da música moderna.

De qualquer foram, eram essas idiossincrasias que faziam dele uma das figuras mais fascinantes do pop moderno e outro que, a exemplo de outro grande personagem que há pouco nos deixou, David Bowie, fará muita falta.

O artistas deixa álbuns que ficam para a história e sua influência está impregnada em boa parte do pop e rock contemporâneo – de Pharrell ao Daft Punk, passando por todos os nomes do R&B futurista (Miguel, The Weeknd), astros do hip hop como Kendrick Lamar e The Roots, ídolos do pop como Justin Timberlake e muitos mais.

Prince esteve no Brasil uma única vez. Foi em janeiro de 1991 na segunda edição do Rock In Rio. Ele deveria ter voltado em 2011, mas cancelou o show dias antes da data marcada.

COMPARTILHAR