O mistério de Ötzi, a múmia congelada

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Em setembro de 1991, os turistas alemães Helmut e Erika Simon escalavam os Alpes Ötztal, na fronteira entre a Áustria e a Itália. Ambos percorriam um caminho entre os desfiladeiros da montanha, quando decidiram mudar um pouco a rota, o que serviu apenas para descobrir um cadáver congelado no lugar.

A descoberta causou um grande frisson e até mesmo teria aumentado a atividade nas montanhas nos dias subsequentes. Alguns profissionais foram acionados para retirar o cadáver do lugar e conforme davam andamento ao procedimento uma coisa ficou evidente: o que o casal encontrou era na verdade uma das mais antigas múmias naturais de toda a Europa.

Ötzi: O homem do gelo

Acredita-se que a múmia seja de um homem, que recebeu o apelido de Iceman, e que ele tenha vivido entre 3400 e 3100 a.C. Seus restos resistiram por milhares de anos, até que foram desenterrados no século XX. Ele foi nomeado Ötzi, devido ao lugar onde foi encontrado. Na década seguinte, a múmia foi minuciosamente examinada. E detalhes dessas análises revelaram muito sobre a vida dos humanos em um espaço/tempo remoto.

Ötzi era um ser pequeno para os padrões atuais. Quando morreu, ele tinha cerca de 45 anos, com cerca de 1,65 metros e pesava cerca de 50 quilos. Análises de pólen e esmalte mostraram que ele supostamente cresceu em um lugar que atualmente é conhecido como aldeia de Feldthurns, na Itália.

As análises ainda puderam revelar a última refeição de Ötzi antes de sua misteriosa morte. O ‘iceman’ antes de morrer teria ingerido carne, pão de ervas, raízes e frutas. Aparentemente, o homem ainda esteve doente por três vezes em um período de seis meses que antecederam sua morte e era intolerante à lactose.

Vestígios de cobre e arsênico foram encontrados nos cabelos da múmia, o que sugere que talvez ele estivesse envolvido com fundição de cobre. Os ossos de Ötzi revelaram que ele pode ter passado muito tempo caminhando pelo terreno montanhoso. Alguns pesquisadores até mesmo sugeriram que ele fosse um pastor montanhoso ao invés de trabalhar com o metal.

As marcas do mistério

O que mais intrigou os cientistas que analisaram a múmia de Ötzi foram as tatuagens que cobriam seu corpo. Cerca de 61 tatuagens foram encontradas no corpo do homem. Muito provavelmente estas tatuagens foram feitas a partir de cinzas e muitas se concentravam próximo aos pulsos, tornozelos e joelhos.

No entanto, as tatuagens do ‘homem do gelo’, aparentemente, não eram tatuagens com finalidade puramente estética ou ligada a algum conceito religioso. Um exame nos ossos da múmia mostraram que os locais tatuados correspondiam as áreas que estavam “comprometidas” no corpo de Ötzi.

Qualquer lugar onde houvesse algum problema, como nas articulações dos joelhos, haveria uma tatuagem. Os pesquisadores chegaram até a imaginar que tais marcas pudessem ser uma espécie de método de acupuntura neolítica para tratar as dores sentidas pelo homem nos ossos e articulações.

Apesar de muitas informações terem sido reveladas “facilmente” através de exames e análises, o motivo da morte de Ötzi permaneceu como um mistério por décadas. No início, muita especulação tentava dar um sentido para como havia acontecido sua morte. Somente em 2001 é que as coisas começaram a ficar mais claras sobre como ele poderia ter morrido.

Um exame de raios X revelou uma ponta de flecha dentro do ombro esquerdo de Ötzi, um pouco abaixo de seu pulmão. A ferida causou muitos danos ao homem, que mesmo nos dias atuais, provavelmente não teria sobrevivido. Análises de DNA ainda mostraram que seu corpo possuía resquícios de sangue de quatro outras pessoas. O que sugere que o homem esteve em combate antes de morrer.

Apesar das muitas descobertas sobre a vida de Ötzi, muito ainda permanece desconhecido, como por exemplo, para onde ele estava indo. O que motivou a sua morte e quem poderia tê-la testemunhado, porém isso provavelmente nunca saberemos.

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