O cromossomo Y está desaparecendo e os homens podem estar em “perigo”

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Se você não se lembra muito bem do que são os cromossomos, vamos dar uma ajudinha. São longas sequências de DNA, cercados por diversos genes e outras sequências de nucleótidos, que possuem específicas funções. Localizados no núcleo da célula, os seres humanos possuem 23 pares deles, totalizando em 46. Bem, mas é importante ressaltar que apenas 2 deles podem determinar o sexo de um feto, o e o Y.

Dessa forma, as mulheres possuem dois cromossomos X (XX). Enquanto isso, os homens possuem um cromossomo X e outro Y (XY). Um garoto herda o cromossomo Y do pai, e o X da mãe. Já uma garota, herda um cromossomo X da mãe e outro do pai. Sim, o é o responsável por determinar o sexo masculino. Agora que já deu pra entender um pouquinho melhor, temos uma notícia não muito boa… Pesquisas apontam que tal cromossomo está ficando cada vez menos forte e duradouro.

Em um artigo para a BBC, o biólogo e evolucionista Mark Angel afirma que os nossos antepassados masculinos carregavam consigo cerca de 1.400 genes. Entretanto, hoje em dia eles não possuem mais do que 27. Por outro lado, as mulheres ainda possuem cerca de mil. Fato é que o cromossomo Y possui pouquíssimos genes e é o único “dispensável” para a vida, considerando que as mulheres conseguem viver sem ele.

Degeneração

Apenas para que você tenha noção, pesquisas indicam que a degeneração de tal cromossomo acontece de forma rápida. Isso fez com que as mulheres conseguissem sobreviver apenas com o X, enquanto os homens ainda carregam um “Y enrugado”. De acordo com o que os estudos apontam, é possível que o cromossomo Y desapareça dentro de 4,6 milhões de anos. Parece muito, não é mesmo? Pra que se preocupar com isso agora? Bem, vamos analisar os fatos. Quando consideramos que a vida na Terra existe há aproximadamente 3,5 bilhões de anos… Já não se parece mais tanto tempo assim.

A grande questão é que o cromossomo Y apresenta uma falha. Ao contrário de todos os outros cromossomos, que vivem em pares, este é uma cópia única passada apenas de pai para filho. Dessa forma, ele não sofre a recombinação genética – responsável pela mistura entre os genes. Tal processo é capaz de ajudar a eliminar determinadas mutações gênicas que podem ser prejudiciais, e sem o benefício da recombinação, os genes cromossômicos Y acabam se degenerando ao longo do tempo, possibilitando que fiquem perdidos no genoma.

Por outro lado, também foram descobertas novidades acerca do tema que podem nos trazer esperança. O cromossomo Y foi capaz de desenvolver mecanismos que podem diminuir essa perda de genes, provocando uma paralisação. Um deles, é o que foi chamado de palíndromo – sequências de DNA que são iguais de trás pra frente, e de frente pra trás, assim como o nome “Ana”, por exemplo. Tal estrutura faz com que o cromossomo se proteja contra uma posterior degradação.

Afinal, o cromossomo Y realmente irá desparecer?

A comunidade científica se encontrada bastante dividida sobre essa questão. Há aqueles que acreditam que sim, e os que não enxergam essa possibilidade. Cientistas do Reino Unido alegam que os últimos estudos mostram um bom trabalho de resgate do cromossomo Y, sugerindo que ele não pode ser extinto. Enquanto isso, outro grupo afirma que apenas estão “agarrados por suas unhas, até que finalmente caiam do penhasco”. O debate é árduo e ainda poderá durar muito tempo.

Será que os homens realmente estão correndo um risco?

O desaparecimento do cromossomo Y  não significa necessariamente que os homens desaparecerão da face da Terra. Tal processo já foi enfrentado por algumas espécies de animais que, incrivelmente, continuaram a ter os dois sexos. A vida masculina é necessária para a reprodução, sem eles, decretaríamos o fim da humanidade.

No caso dos animais, o gene SRY, que está presente no cromossomo masculino e é responsável pelo desenvolvimento dos órgãos genitais, se transformou em um cromossomo diferente. Isso significa que os machos continuam nascendo, mesmo sem a presença do Y.

Considerando a evolução, o mais provável é que algo parecido acontecesse com os humanos. De qualquer forma, esta é uma área bastante interessante da pesquisa gênica, mas que não precisamos de fato nos preocupar por enquanto. É algo que a ciência ainda tem certo tempo para resolver.

E então pessoal, o que acharam? Compartilhem suas ideias com a gente aí pelos comentários!

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