Motorista flagra grupo de dez jacarés em canal de esgoto no Rio de Janeiro

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jacares-por-darlan-mesquita-1Na noite da última quinta-feira, o morador do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, Darlan Mesquita, de 21 anos, estava passando na Avenida Gilka Machado quando avistou um jacaré no Canal das Taxas, que corta a rua. Ele resolveu dar um pedaço de pão para o animal e teve uma surpresa: outros nove jacarés apareceram para participar da boquinha.

Morador do Recreio desde 2003, o motorista compartilhou as fotos da “farra” no Facebook. Ele contou que sempre alimenta os animais que vivem no local, mas se impressionou com o aumento da população de jacarés.

— Sempre vi jacarés ali. Parava pra olhar e sempre tinha um ou dois. Mas nunca tinha visto mais de dez. Creio que tinha uns 15 ali. Tinha um rapaz olhando e parei também. Quando joguei o pão, eles fizeram a festa, começaram a brigar. Até achei estranho. Parecia que estavam com fome — contou.
A presença dos jacarés da espécie papo amarelo pode ter surpreendido muita gente, mas na verdade, este é o habitat natural dos animais. O nome “Bacia de Jacarepaguá” foi inspirado, justamente, nos habitantes silvestres.

De acordo com o biólogo Mário Moscatelli, a redução do ambiente natural dos jacarés tem forçado uma migração para o meio urbano. A presença de animais silvestres, como capivaras e garças, na região tende a aumentar frente à expansão de prédios e condomínios.

— Vai ser cada vez mais comum encontrar jacaré andando na rua, dentro de piscina. Eles não estão invadindo nosso espaço, eles que estão sendo invadidos. Infelizmente, eles vivem em situação de insalubridade. Poderia ser um atrativo turístico até, mas em pleno século 21 estes animais são tratados como lixo. Se não houver uma reversão desse processo e um gerenciamento dessa população, em algum tempo, 30 ou 40 anos, o jacaré do papo amarelo vai virar referência bibliográfica.

O biólogo aproveitou para alertar a população sobre os riscos da alimentação aos animais silvestres. Moscatelli explica que eles precisam manter o instinto, para não morrerem de fome. Por isso, nada de dar comida aos jacarés!

— É importante que o animal continue tendo seus instintos de caça, para se manter independente da presença do ser humano.

A população do Recreio dos Bandeirantes pode ficar tranquila. Ainda que pareçam agressivos, o biólogo afirma que os riscos de ataque de um jacaré a humanos é mínimo. O jacaré do papo amarelo é uma espécie protegida por lei.

— Quem está oferecendo perigo atualmente é o homem ao jacaré, e não o contrário. Entre o jacaré e o mosquito da dengue, eu tenho mais medo do mosquito — brincou o especialista.

Fonte: Extra

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