Há quatro anos vazamento faz água tratada escorrer em SP

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4825vazamento-aguaEm meio a uma das maiores secas que a Grande São Paulo já enfrentou, com o Sistema Cantareira chegando a um volume de apenas 13,6% – contabilizando já o volume morto –, ainda há locais na capital em que água potável vaza nas ruas.

Essa é a situação da Rua do Carvoeiro, no limite entre São Paulo e Embu Guaçu, na altura do número 10.500 da Estrada do M’Boi Mirim. A via ainda não tem água encanada e a água potável que chega às casas dos moradores vem por meio de um sistema de mangueiras, que está desgastado e tem inúmeros furos. Isso faz com que a água boa para consumo seja inutilizada e se misture diretamente com o esgoto que também corre pela rua.

A situação precária da via fez com que o vereador Paulo Reis (PT) encaminhasse, em junho, um ofício à Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) cobrando explicações sobre o que estava ocorrendo na rua. E a resposta da Sabesp à época é que havia previsão para a implantação da rede de água na via somente no ano de 2018. Na segunda-feira, a Sabesp alegou que a área é irregular e não pode fazer nada (leia abaixo).

DESPERDÍCIO HÁ ANOS/ De acordo com informações dos moradores da rua, esse sistema de mangueiras já funciona há pelo menos quatro anos e à noite não é raro que a pressão da água fique mais forte e algumas dessas mangueiras se rompam. “Vira e mexe isso ocorre por aqui. Algumas casas têm o cavalete de controle de água instalados pela Sabesp, mas eles não funcionam”, conta o cozinheiro Marcos Silva dos Santos, de 33 anos. “Muitas vezes acordo pela manhã e tem um furo novo, com água vazando.” Outro problema é que a via tem a maior parte do esgoto canalizado, mas há um ponto com esgoto a céu aberto e as mangueiras se misturam à água suja.

Sabesp diz estar impedida de fazer conserto

Por meio de nota, a Sabesp informou que “a região citada possui ocupações irregulares que prejudicam o abastecimento”. A empresa também afirma que “devido a impossibilidade de regularização, o abastecimento do local acontece de forma irregular”. O DIÁRIO questionou a Sabesp se não seria possível ao menos atuar para controlar o vazamento e evitar o desperdício de água boa para o consumo, mas a empresa alegou que não pode enquanto a área não estiver regularizada.

A Sabesp alega que a solução definitiva do problema são as obras de redes de água e esgoto, ações de urbanização e educação ambiental, contempladas no programa de Urbanização de Núcleos Irregulares (Programa Mananciais Vida Nova), sob responsabilidade da Prefeitura. Parte das obras já foram executadas, porém ainda apresentam pendências, impossibilitando a interligação das redes implantadas ao sistema de abastecimento existente.

Entretanto, em nota técnica ao vereador Paulo Reis, enviada em 18 de junho, a Sabesp diz que no dia 17 daquele mesmo mês foi realizada vistoria no local e que tratava-se do “Núcleo da Baixa Renda Arizona, cujas obras de implantação de rede de água fazem parte do Programa de Aceleração de Crescimento, cujo prazo de atendimento é até 31/12/2018”. A Prefeitura informou que a Rua do Carvoeiro está em processo de regularização. (Diário de São Paulo)

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