‘Experiência única’, diz brasileiro que curtiu férias no Afeganistão

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img_4338O voo que levou o estudante de medicina Bruno Pinheiro para sua viagem de férias neste ano estava com menos de metade dos assentos ocupados. Além dele, só havia uma estrangeira na aeronave. É que poucas pessoas escolhem fazer turismo em um destino tão incomum: o Afeganistão.

Natural de Belo Horizonte, o brasileiro de 25 anos mora há um ano na China, onde faz curso de mandarim. Ele ficou na capital afegã, Cabul, do dia 11 ao dia 22 deste mês. A decisão de conhecer aquele país veio após ele fazer amizade com afegãos em sua aula de mandarim. “Eles são tão gente boa e me tratam tão bem que pensei: um país com um povo tão bacana não pode ser tudo de ruim que as pessoas falam”, conta.

Neste ano, um desses amigos convidou Bruno para passar as férias de verão em sua casa, em Cabul. Inicialmente, os parentes e amigos do brasileiro ficaram assustados com a ideia. “Eles diziam: ‘Afeganistão? O que você está indo fazer lá?’ O país já carrega um nome pesado, que a gente associa a guerra, confusão, falta de segurança”, diz o estudante.

20140718_202258Mas, após pesquisar e consultar a Embaixada do Brasil em Pequim, ele aceitou: “Seria uma experiência única. Não é todo dia que a gente viaja para o Afeganistão.”

A ideia inicial era passar quatro dias em Cabul e depois ir para o interior conhecer outras regiões do país, mas ele desistiu de sair da capital após receber recomendações de que não se afastasse de lá. “É período de eleições, a situação está mais delicada. Não ouvi falar de nenhum ataque muito forte esses dias, mas por precaução, os próprios locais disseram que eu não fosse. Vai ter que ficar para a próxima”, diz.

Por conta disso, ele acabou conhecendo Cabul mais a fundo. Esteve no zoológico e visitou algumas mesquitas e shoppings — mas a maior parte do tempo viveu o dia a dia dos moradores. “É uma cidade muito antiga, tem muita coisa destruída. Ele estão tentando construir prédios maiores, estão tentando se adaptar para oferecer mais atrações. Mas para mim, o charme é a simplicidade que eles oferecem. Lá não importa se a pessoa tem dinheiro ou não, sempre vai fazer questão que você entre casa dela, tome um chá”, diz ele, elogiando a gentileza e a hospitalidade do povo afegão.

Devido aos costumes islâmicos no país, Bruno só teve contato com homens, mesmo na casa onde estava hospedado, onde há ao menos 16 mulheres: as 14 irmãs de seu amigo e suas duas mães – a biológica e a outra esposa de seu pai (a poligamia é permitida aos homens). O amigo de Bruno também tem 12 irmãos do sexo masculino.

O brasileiro conta que as residências são estruturadas para que homens e mulheres tenham vidas totalmente independentes. Há um andar só para as mulheres, onde elas dormem, circulam e comem e onde só trabalham empregadas do sexo feminino. Da mesma forma, no andar masculino, só há moradores e funcionários homens.

Bruno via as mulheres passando na rua, mas elas andam com o corpo e o rosto coberto pelas vestes típicas locais e não podem conversar com desconhecidos. Os homens também têm vestimentas próprias: uma calça com uma bata longa, de cores variadas. O brasileiro diz que não viu nenhum outro turista por lá.

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