Descobri que minha filha era cardiopata logo depois do parto “Desabafa mãe”

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parto-manuelaSoube que estava grávida de novo durante o aniversário de 1 ano do Rafael, meu primogênito. Já vinha tentando engravidar desde que ele tinha 4 meses, porque eu e meu marido queríamos crianças de idades bem próximas. A gravidez da Manuella foi tranquila, os exames não apontaram nada, mas, como havia passado pouco tempo desde o último parto, optamos por uma cesárea. Ela nasceu às 7h25 do dia 23 de abril de 2012, com 3,330 kg e 47,5 cm. Ficamos um tempo juntas e não observei nada de errado. Subi para o quarto às 9h45.Cheguei lá e não tinha ninguém. Liguei para o meu marido e ele disse que estava conversando com o médico e já subiria.Quando chegou, pediu para eu não ficar nervosa, mas disse que, provavelmente, a Manu precisaria fazer uma cirurgia.

Ela estava meio azulada e os exames mostraram que sua taxa de oxigênio no sangue era de apenas 45%, sendo que o normal, ao nascer, é 95%. O diagnóstico foi Transposição das Grandes Artérias (TGA), ou seja, as artérias nasceram invertidas.

Não sei explicar o que senti, mas em momento algum chorei ou desacreditei. Veio uma força, não sei de onde, porque eu sabia que precisava transmitir essa força a ela. Ainda assim, foi triste não poder ter minha filha nos braços. Só consegui vê-la ao meio-dia.Quando cheguei à UTI, ela estava em uma incubadora, recebendo oxigênio. Sua aparência havia melhorado, mas não pude pegá-la no colo. Fiquei ao lado dela a tarde toda.

Durante a gravidez, costumava escutar as músicas do Cocoricó, junto com meu filho, então comecei a cantar. Nessa hora, os batimentos cardíacos dela aumentaram. Foi um momento especial!

A cirurgia aconteceu dois dias depois e teve duração de seis horas. Quando o médico ligou no quarto e disse que o procedimento tinha sido um sucesso, eu desabei. Chorei tudo o que não tinha chorado antes. A previsão de alta era de 30 a 90 dias, mas a recuperação dela foi incrível e, sete dias depois, já deixava o hospital.

A chegada da Manu à nossa casa foi um pouco complicada, por conta dos cuidados pós-operatórios. A cirurgia permanecia aberta e protegida apenas por um curativo, que precisava ser trocado três vezes ao dia. A casa era esterilizada com a mesma frequência e eu me paramentava toda a cada troca de fraldas. Quando o Rafa voltava da escola, eu tirava a roupa dele antes e o colocava direto no banho. Foram três meses até podermos sair e receber visitas e, infelizmente, tivemos que abrir mão do nosso cachorro.

Hoje, com 1 ano, a Manu é uma criança saudável e a cicatriz está perfeita. Depois que ela nasceu, comecei a ver o mundo de uma forma diferente. Meus problemas mudaram e eu cresci. Sinto-me mais forte e muito abençoada, porque fui escolhida para cuidar, zelar e amar, sendo mãe de um anjo com um coração especial.” (Revista Crescer)

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