CONHEÇA A AMEBA ”COMEDORA DE CÉREBROS” ENCONTRADA EM LAGOS E PISCINAS SUJAS

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Uma rara doença tem assustado as pessoas ao redor do mundo. De nome difícil e alta letalidade, a meningoencefalite amebiana primária pode matar em cerca de 97% dos casos. A ameba causadora da doença vive em ambientes úmidos, solos encharcados e fontes de água fresca, doce e morna, como os rios e lagoas.

Piscinas com tratamento inadequado ou em águas de torneiras aquecidas, em casos de menor incidência, o protozoário, cujo nome científico é Naegleria Fowleri, também pode ser encontrado. A infecção acontece quando a água contaminada entra no corpo através do nariz.

Ameba comedora de cérebros

Somente no mês passado, um surfista morreu nos Estados Unidos, após nadar em uma piscina de ondas. Uma criança de oito anos morreu na Argentina após ser contaminado depois de nadar em uma lagoa. E no início de 2018, uma menina de dez anos conseguiu, quase que milagrosamente, sobreviver à infecção causada pelo protozoário depois de contraí-lo em uma piscina na Espanha.

Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), apesar da presença dessa ameba ser muito comum nos ambientes citados acima, as infecções ainda são casos isolados e até raros. Ainda há poucos dados a respeito da incidência da meningoencefalite amebiana primária no material liquido e a ligação com o contágio em humanos.

Ao entrar pelo nariz, a ameba chega ao nosso cérebro, atacando o tecido cerebral. Por isso, ela recebeu o apelido de “ameba comedora de cérebros”. Esses protozoários se alimentam de bactérias encontradas em sedimentos de regiões inundadas. No verão, os números de casos de contágio podem aumentar, uma vez que as temperaturas mais elevadas favorecem seu desenvolvimento.

Os sintomas, como dores de cabeça, febre e náuseas, muito se parecem com os que ocorrem nos casos de meningite bacteriana. Perda do equilíbrio e convulsões podem surgir conforme a piora dos sintomas. Segundo o CDC, a contaminação pela ingestão da água contaminada pela boca ou transmissão por outras pessoas estão descartadas.

Entre 1962 e 2017, nos EUA, de acordo com informações do CDC, cerca de 143 pessoas foram infectadas com o protozoário. Dessas pessoas, apenas 4 sobreviveram. “Houve 34 registros de infecções nos Estados Unidos nos 10 anos entre 2008 e 2017, apesar das milhões de exposições à água em atividades recreacionais a cada ano. Como comparação, nos 10 anos entre 2001 e 2010, houve mais de 34 mil mortes por afogamento no país”, informa o site do CDC.

O Brasil e os cuidados

Aqui no Brasil, na década de 1980, segundo o que apontam alguns estudos, foram registrados cinco casos da infecção. No entanto, eles não puderam atestar se elas foram em decorrência da Naegleria Fowleri, segundo Danilo Ciccone Miguel, parasitologista, pesquisador e professor do Instituto de Biologia Unicamp.

Somente uma das pessoas que foram contaminadas no Brasil passou por análises mais detalhadas. “O caso descrito e confirmado por métodos imunológicos para detectar a presença da ameba em cortes de cérebro foi de um paciente no Rio de Janeiro e foi realizado post-mortem. Não há artigo para este relato, apenas uma descrição do caso foi publicada em uma conferência no Colorado, Estados Unidos, em 1983”, disse Miguel para a BBC News Brasil.

“A demora no diagnóstico aliada à rápida evolução da doença tornam a confirmação da etiologia (o estudo das causas) bastante complicada. Logo, acredita-se na subnotificação de casos não só no Brasil, como no mundo todo”, completou o professor.

Amebas que podem causar outros tipos de doenças como ceratite, encefalite e infecções de pele, já foram encontradas em lagos artificias e piscinas em amostras coletadas no Rio de janeiro e Porto Alegre. “Contudo, sem dúvida, a espécie Entamoeba histolytica é a mais comum no Brasil e no mundo. É responsável por causar amebíase intestinal e extra-intestinal no homem”, explica o pesquisador. A amebíase também pode possui carácter letal.

O tratamento da doença é feito através de uma medicação antiparasitária chamada miltefosina. A garotinha espanhola que se salvou da doença utilizou esse medicamento e, aparentemente, outras duas pessoas também se salvaram pelo seu uso. Antibióticos, até onde se sabe, não surtem o menor efeito para este tipo de infecção.

Para se evitar a contaminação pelo protozoário, recomenda-se, ao nadar em águas suspeitas, que se cubra o nariz com as mãos, ou com algum objeto que possa obstruir a passagem da água pelo nariz. Como os protetores de nariz usados por atletas de nado sincronizado.

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