As múmias dignas de filme do Museu Nacional

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Você cansou de ver a franquia d’A Múmia no cinema – e, entre maldições arqueológicas e cenas de ação canastronas, nunca deve ter parado para se perguntar se existiram múmias Made in Brazil.

A boa notícia é que, sim, elas existiram. A notícia ruim é que o acervo riquíssimo de múmias como essa – e outras vindas de vizinhos nossos da América Latina – foi inteiro ameaçado pelo incêndio que, na noite passada, atingiu quase completamente o acervo do Museu Nacional da Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ).

Com a tragédia, vem ao menos a oportunidade de conhecer a história por trás dessas (e outras!) relíquias.

Múmias 100% brasileiras

 (Museu Nacional/UFRJ/Reprodução)

Uma das atrações mais populares do museu eram suas múmias. Algumas delas chamavam a atenção por serem clássicas múmias egípcias – e falaremos delas também. Mas o Museu Nacional também foi casa de legítimos cadáveres mumificados nacionais.

Quer múmia mineirinha? O museu tinha. Um grupo indígena encontrado na Caverna da Babilônia em Minas Gerais, incluía uma mulher mumificada e dois bebês, que pertenciam a uma tribo desconhecida.

Não existem evidências que explicam se eles eram todos da mesma família, nem se a mulher era mãe das crianças. Mas a criança mais nova tinha sido depositada bem perto dela, atrás da cabeça. A (possível) mãe tinha cerca de 1,5 m de altura e cerca de 25 anos. Um dos bebês tinha 1 ano de idade – enquanto o outro tinha apenas um mês.

 Fonte: O tweet de @shaannonbfr, que não conseguimos embedar, mas pode ser acessado aqui!

Fonte: O tweet de @shaannonbfr, que não conseguimos embedar, mas pode ser acessado aqui! (/)

 

O grupo como um todo provavelmente pertencia a um dos três povos indígenas conhecidos como maxacalis, camacãs, ou manukis. Qualquer que seja o povo, porém, o que se acredita é que a Caverna da Babilônia teria servido de cemitério para eles. Localizada em uma serra fria e seca, ela era uma localização adequada para a preservação desses corpos. Eles eram colocados sobre pedras, em vez de terra, e cobertos com mantos fúnebres, bolsas, e tecidos em geral.

Todas essas condições juntas acabaram favorecendo uma mumificação natural. A cobertura de fibras de tecido, folhas e pedras, junto com o clima, possibilitaram a preservação da pele seca e dos ossos.

Esses corpos na caverna teriam morrido anos antes da corte portuguesa chegar no Brasil – mas só foram descobertos na época de D. Pedro II, na época em que o terreno fazia parte de uma fazenda de café. A dona do campo cedeu a descoberta ao imperador, que por sua vez a repassou ao museu.

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