Aos 6 anos, menina cria ONG com grandes ações anuais

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biaBeatriz Martins, a Bia, tinha seis anos de idade, quando fez uma pergunta aos pais que mudaria a sua vida e a de outros milhares de brasileiros. “Eu estava com meu pai, de carro, vendo crianças de roupas rasgadas e descalças na periferia e fiquei inconformada com aquilo. Ele me explicou que elas não tinham condições de ter brinquedos, roupas, mas tinham as mesmas vontades do que eu, os mesmos gostos. Era 2006 e, a partir de agosto daquele ano, juntei balinhas de restaurantes e pizzarias, que vinham junto com o troco, e comecei a entregar para as crianças que vi aquela vez”, conta Bia, hoje com 14 anos.

No Natal daquele ano, a paulistana Bia e seus pais, o diretor de eventos Ricardo, e a produtora de eventos Jane, capitanearam a sua primeira boa ação, ajudando 600 pessoas com doações de roupas e alimentos. A ONG nasceria em janeiro de 2007 e o nome, Olhar de Bia, fora escolhido por conta da percepção da jovem Beatriz sobre a realidade dos mais carentes.

São seis grandes ações por ano: Volta às Aulas, Páscoa, Mês das Mães, Mês dos Pais, Dia Das Crianças e Natal. “Doamos brinquedos, roupas, livros, material escolar, alimentos… Durante o ano todo, ajudamos várias comunidades, enquanto que nessas datas festivas priorizamos o auxílio a jovens e crianças”, diz Bia, que nos últimos sete anos auxiliou mais de 100.000 brasileiros.

No happy wheels último Natal, em 2013, na ONG recebeu 7.000 peças de roupas, 3,5 toneladas de alimentos, 2.000 livros e 9.000 brinquedos. O material foi reunido durante um ano. Todos os que participam da ONG são voluntários e, por não haver uma sede, os amparos tudo é feito em campo.

Bia tem novos olhares para o futuro
“Nossos projetos para o futuro são oferecer cursos profissionalizantes e inserir o jovem no mercado de trabalho com o projeto Olhares (Olhar do Chef, em gastronomia e Olhar do Bem, em fotografia). Não adianta dar o peixe e não ensinar a pescar. Português, Matemática e educação básica serão fundamentais para as pessoas terem acesso a esses cursos”, diz Bia, que projeta o sonho de abrir uma sede para a ONG.

A jovem acredita que, como ela, existam muitas “Bias” por aí querendo ajudar o próximo. “Meu pai foi muito importante para criar essa ação, é um exemplo, e nós temos agregado muitas crianças e jovens por conta disso.”

A vida de Bia, claro, mudou desde então. Hoje são ações, eventos, palestras e ainda a escola. “Mudou bastante a minha responsabilidade em relação à ONG. Mas sigo mantendo meu lado criança, até porque me considero nova aos 14 anos. Nunca devemos deixar isso morrer em nós.” (Terra)

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