Antigo Vírus pode ter sido responsável pela consciência humana

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De onde vem a consciência humana? De acordo com dois artigos publicados na revista Cell em janeiro, um vírus vinculou seu código genético ao genoma de animais de quatro membros há muito tempo e pode ter sido responsável por grandes mudanças em nosso processo de pensamento.

Segundo os pesquisadores, esse trecho de código ainda está muito vivo nos cérebros dos seres humanos hoje, onde realiza uma tarefa essencial: empacotar informações genéticas e enviá-las das células nervosas para suas vizinhas em pequenas cápsulas que parecem muito com o próprio vírus.

Mais comum do que parece

Segundo os pesquisadores, esses pequenos pacotes de informações podem ser elementos essenciais para que os nervos consigam se comunicar e se reorganizar ao longo do tempo – tarefas consideradas necessárias para o pensamento de ordem superior.

Apesar de parecer surpreendente que um pouco do código genético humano tenha vindo de um vírus, na verdade isso é algo mais comum do que se pensa: de acordo com um artigo publicado em 2016 na mesma revista, entre 40% e 80% do genoma humano é proveniente de algum tipo de invasão viral.

Como os vírus trabalham

Os vírus não são apenas seres que tentam fazer do corpo uma casa, como as bactérias. Na verdade, o vírus é um parasita genético. Ele injeta seu código genético no corpo do hospedeiro e o sequestra, fazendo-o trabalhar para o seu próprio propósito – tipicamente, isso significa mais produção de vírus.

O processo geralmente é completamente inútil ou prejudicial para o corpo do hospedeiro, mas às vezes pode ser benéfico. O estudo de 2016 descobriu que os genes virais desempenham papéis importantes no sistema imunológico, bem como nos primeiros dias do desenvolvimento embrionário.

De acordo com os pesquisadores, além de esse vírus antigo continuar muito ativo dentro das células do cérebro humano, ele é tão importante que os processos de pensamento como os conhecemos provavelmente nunca teriam surgido sem ele.

O papel do Arc

Pouco depois que uma sinapse (a junção entre dois neurônios) é disparada, o gene viral conhecido como Arc ganha vida, escrevendo suas instruções na forma de pedaços de um código genético móvel conhecido como RNA.

Seguindo as instruções do vírus, a célula nervosa constrói “cápsides” (envelopes semelhantes ao próprio vírus) em torno dele. Esses envelopes permitem que o RNA viaje de forma segura entre as células, entrando nos neurônios vizinhos e passando seu pacote de informações genéticas junto a eles.

Ainda não está claro o que essa informação faz quando chega a uma nova célula, mas os pesquisadores descobriram que, sem o funcionamento desse processo, as sinapses desapareceriam. E mais: os problemas com o gene Arc tendem a surgir em pessoas com autismo e outras condições neurais atípicas.

O próximo passo para essa pesquisa é reunir especialistas em neurociência e vírus antigos de forma a entender os mecanismos que explicam como o Arc chegou ao genoma e quais são exatamente as informações que ele está passando entre nossas células hoje.

Fonte- megacurioso

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